quinta-feira, maio 08, 2008

Moldura

Em meio a turbilhões de novas emoções, na plena busca da própria satisfação, da própria essência, a caminho de um encontro honesto e sem armas consigo mesma, com o que não se nega, com o que não esconde; você sente a redução de velocidade, sente o corpo dar meia volta deixando o ‘eu’ para trás e correndo atrás do ‘nós’ , perdido.
Naquela correria desenfreada visando a intensidade, a paixão, o encontro, você acabou perdendo o que pode ser mais importante que qualquer ‘encontro de almas’, que qualquer ‘instante’, você perdeu a chance de vencer ‘all by yourself’, perdeu sua voz no caminho, agora se calar é sempre a melhor opção, perdeu o espelho a sua frente, agora o ‘tudo’ é uma moldura ao lado da cama.
Diante daquele sentimento recíproco, tão bonito, genuíno, impregnante, presente, forte, refeito, você sente o prazer, a mágica de chegar onde quis, de vencer obstáculos, de ultrapassar todas as realidades e viver somente a sua, o seu ideal. Até que num determinado instante uma voz toma conta do ambinente, derrubando seus castelos, te afastando da sua realidade, te fazendo pensar que o ‘motivo’ pra tanta busca, pra tanta luta, parece nunca ter existido.
E então, a voz não pode se calar, o ‘eu’ não pode ser minimizado, e definitivamente a moldura ao lado da cama não pode ser tudo.

Bruna Ribas

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